Se
eu morrer amanhã
Se
eu morrer amanhã,
Pedirei
apenas uma coisa:
Que
possa, mesmo que por um instante,
Olhar
para trás.
Certamente,
rirei de minha inocência
Enquanto
fui criança.
E
logo depois chorarei,
Sofrendo
terrivelmente
Por
tê-la perdido.
Me
divertirei com tolas preocupações
Que
afligiram a minha adolescência.
E
sentirei um desejo aterrador
De
viver isso novamente.
Para
fazer tudo igual,
Embora
diferente.
Se
eu morrer amanhã,
Verei
que amava minha vida
E
minha família
Muito
mais do que imaginava.
E
me arrependerei amargamente
De
não ter gritado isso aos quatro ventos.
Me
arrependerei tanto...
De
projetos maravilhosos que nunca foram realizados.
De
sentimentos raros que não foram revelados.
E
de todo tempo gasto diante da televisão.
Me
arrependerei de não ter ido aos lugares que quis,
De
não ter provado todos os sabores,
E
de não ter beijado todas a bocas que desejei.
Se eu morrer amanhã,
Sentirei
falta de coisas que não me pareciam tão importantes.
Sentirei
falta da chuva,
E
do cheiro que deixava na terra.
Sentirei
falta do barulho do mar,
E
do sol.
Sentirei
muita falta do sol
E
de todos os crepúsculos que eu não vi.
Sentirei falta de absolutamente tudo.
Ate
mesmo do que nunca me importou.
E
sofrerei com uma imensa angustia
Que
me fará buscar com desespero
Coisas
boas,
Das
quais não irei me arrepender.
Então lembrarei de todos os meus amigos,
E
de todas as pessoas que me surpreenderam.
E
também das que me decepcionaram,
E
das que me perdoaram.
E
lembrarei das poucas vezes em que me senti feliz
Sem
qualquer motivo especial para isso.
E
das vezes em que me permiti errar
E
acertei.
Se eu morrer amanhã,
Tentarei
achar em minha vida
Um
sentido filosófico
E
uma beleza poética.
E
conseguirei.
E
daí me deixarei aquietar,
E
sentirei a paz que todos buscam.
E
um sentimento de profunda gratidão
Por
ter apenas vivido.
Como
todas as pessoas,
Mas
não como qualquer pessoa.
Se eu morrer amanhã,
Pedirei,
mesmo sabendo que em vão,
Para
voltar.
E
ai viver intensamente,
E
fazer tudo o que desejar.
Sabendo
usar o tempo
Que
eu nunca soube usar.
E
ver tudo de outra maneira,
Com
uma alma serena
E
um coração muito mais quente.
Que
seria como tudo em minha vida.
Que
não seria nada morna, nem nada cinza.
E
que não teria nem um minuto que não fosse de extrema felicidade,
E
de plena consciência.
Se eu morrer amanhã,
Viverei
todos os momentos de minha vida
Em
poucos instantes.
E
ai então, entenderei tudo.
E
rirei de mim mesma,
E
de minhas esperanças,
E
de minhas aflições.
Pois deitara sobre mim uma sabedoria plena,
E
então eu saberei
Que
disso tudo eu sempre soube.
E
que se não fosse morrer amanhã,
Nada
mudaria.
Embora
saiba que a vida
Um
dia
Realmente
acaba.
* * *
Caroline Dienstmann